domingo, 28 de outubro de 2012

Ruby Sparks - A namorada perfeita


Achei que seria legal fazer um post sobre esse filme, primeiramente porque o protagonista é um escritor, mas também porque ele tem uma característica que ainda não vi em nenhum outro filme que tenha basicamente a mesma trama - o escritor traz à vida um de seus personagens. E essa característica é a seguinte: a criação de sua imaginação é real. Não está só em sua cabeça. E ela não volta pro lugar de onde veio.

Calvin (Paul Dano) é um escritor de sucesso que está passando por um momento de bloqueio, quando uma noite tem um sonho. Um sonho com uma garota. A partir daí, começa a escrever sobre ela. E, dos sonhos, ela passa a entrar em sua vida. Aos poucos. Até que toma conta dela.

E é aí que mora o problema. Calvin criou Ruby (Zoe Kazan) e pode controlá-la. Ela é tudo que ele escreve, suas emoções, suas expressões, suas aptidões. Ela fala tudo que ele quer, faz tudo que o agrada. Então, ele decide parar de escrever, afinal, ela parece perfeita. 

Até certo ponto, tudo dá certo. Mas Calvin não se sente mais tão completo com a Ruby que inventou, e se desagrada com algumas de suas atitudes "não controladas", daí então começa modelá-la de acordo com o que ele quer, controla suas emoções, fazendo-a amá-lo incondicionamente, ou mesmo deixando-a triste e carente.

Eis um problema de real: o de querer controlar o companheiro. Fazer dele seu mundo. E exigir isso em troca. E logo depois Calvin entra num dilema, que põe em risco sua felicidade. Deixar Ruby livre, ou continuar a controlá-la. O que é o mais sensato, já que ela, apesar de tudo, ainda é uma criação sua?


Parece um conto de fadas moderno, quando o escritor cria sua personagem e não está mais só, pois ela o completa. Mas aí entra um problema que quase sempre está presente, e a relação começa a entrar em sua decadência, já que com o controle vem também a culpa, que toma conta de Calvin. E então ele precisa se decidir entre viver com alguém que quer realmente ficar, ou alguém que só está porque é obrigado a ficar. Eis a mágica da história, o que a transforma em uma história real, afinal, convenhamos, contos de fadas não existem.

Apesar de um elenco desconhecido, com exceção de Antonio Banderas, os atores que fazem parte dele são realmente bons, e as atuações estão muito legais - não são atores sensacionais, mas talentosos, com certeza. Fotografia especialmente bonita na passagem de Calvin pela casa de sua mãe (Annette Bening). Dos mesmos produtores de PEQUENA MISS SUNSHINE, posso dizer que esse é um bom filme para assistir com uma tigela de pipoca, num dia calmo.

Informações:

Título Original: Ruby Sparks
Direção: Jonathan Dayton, Valerie Faris
Roteirista: Zoe Kazan
Origem: Estados Unidos
Ano de Lançamento: 2012
Duração: 104 Minutos

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