O cenário: uma cidadezinha fictícia entre Ely e Austin, na Rodovia 50, a mais solitária das Estados Unidos, chamada Desespero.
À moda de King, os personagens são pessoas normais e desconhecidas entre si, que se encontram em uma situação que jamais imaginavam passar na vida.
Elas são ligadas pelo policial insano - que grita ou sussurra coisas em uma língua desconhecida - que os pára na estrada, primeiro amistosamente e depois com certa violência insana. De um a um, com algum pretexto, os leva para o centro da cidade, e os trancafia no prédio da prefeitura. Aparentemente, sem nenhum outro motivo senão para matá-los.
Com uma narrativa dinâmica, King nos leva à aventura do grupo para tentar se livrar do encarceiramento e logo depois, para salvar suas próprias vidas. E durante essa corrida para fugir da morte, questionamentos são feitos e respostas são dadas, ou encontradas. Questionamentos e respostas a respeito de Deus. A partir das experiências individuais e grupais, King constrói a imagem de um Deus que é cruel, mas que também é amor.
Porém, não se torna uma reflexão cansativa - embora eu não saiba como um ateu totalmente convicto reagiria, se o efeito seria totalmente o contrário - e se torna, na verdade, um duelo entre deuses, o cristão, e um totalmente desconhecido, o "Tak". Este último, desenterrado da Mina do China, uma escavação na entrada da cidade, há muito esquecida, por um misterioso desabamento de terra, que matou mais de 40 chineses, que lá trabalhavam. Um deus que usa os animais, e que toma conta conta do corpo das pessoas. E o Deus cristão está lá através principalmente de David, o garoto do grupo.
A narrativa é intensa, e devo acrescentar que enquanto lia, minha mãe entrou no quarto abruptamente, e fez meu coração saltar num susto. Reclamei, mas sem razão, porque não tinha sido ela, nem de longe, que tinha me assustado. As sutilezas de Stephen King.
Os personagens muito bem construídos, cada um com suas experiências, traumas, vícios e medos. O cenário ricamente descrito, fazendo com que as cenas se passem com muita clareza diante de nossos olhos.
E por falar em cenas, um filme foi feito com base no livro. Porém, acredito que não com muito sucesso. Detalhes importantes foram suprimidos, detalhes que fizeram a diferença entre um bom filme e um filme "meia-boca". Entretanto, ainda não acredito que seja perda de tempo assistir. É ótimo para ilustrar o cenário geral. Já a narrativa, bom, acredito que não tenha mantido a dinâmica e intensidade do livro.
Mas geralmente é assim, não? O livro melhor que o filme. Tak.
Informações do Livro*:
Título Original: Desperetion
Tradução: Marcos Santarrita
385 Páginas
Lançado em 2001
Editora: Objetiva
Informações do filme:
Direção: Mick Garris
Origem: Estados Unidos
Ano de Lançamento: 2006
Duração: 131 minutos
*Dessa vez optei por dar informações de uma edição mais acessível, pois a que li, da Planeta DeAgostini, de 2004, é mais difícil de encontrar, já que está esgotada nas livrarias.
















